A insuficiência renal crônica (DRC) pode desencadear arritmias cardíacas graves, elevando o risco de morte súbita. Isso acontece porque a DRC favorece alterações estruturais no coração (como hipertrofia e fibrose miocárdica), além de desequilíbrios eletrolíticos (especialmente potássio e cálcio) e efeitos colaterais de tratamentos que podem prolongar o intervalo QT ou desestabilizar a condução elétrica.
O que muda no coração de quem tem DRC
A longo prazo, a DRC se associa a um “miocárdio vulnerável”, resultado de remodelamento cardíaco, hipertrofia ventricular esquerda e fibrose — um terreno fértil para arritmias e eventos súbitos. Em pacientes em diálise, distúrbios do ritmo são uma das principais causas de mortalidade.
O papel dos eletrólitos e das terapias
Hiperpotassemia é frequente na DRC e está ligada a arritmias ventriculares; oscilações rápidas de eletrólitos (p.ex., em sessões de diálise) também podem atuar como gatilhos. Alguns fármacos empregados nesses pacientes têm potencial pró-arrítmico e podem prolongar o QT, exigindo monitoramento.
Prevenção e acompanhamento
A avaliação precoce e o seguimento conjunto com nefrologia e cardiologia são essenciais:
- monitorar ECG (incluindo QTc) e sinais de sobrecarga estrutural;
- acompanhar potássio, magnésio e cálcio e corrigir rapidamente desvios;
- revisar esquemas terapêuticos com foco no risco arrítmico;
- otimizar controle pressórico, volume e comorbidades;
- considerar estratégias de estratificação de risco de morte súbita conforme o estágio da DRC.
Se você tem DRC, não ignore palpitações, síncopes ou piora da dispneia. Procure avaliação. A identificação e o controle dos fatores de risco podem reduzir complicações e salvar vidas.
Fale com seu médico sobre rastreio de arritmias e, quando indicado, sobre participar de estudos clínicos que investigam formas mais seguras e eficazes de prevenção e tratamento.

